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31 de outubro de 2017
Pintura

O Studio e as cores

O espaço do blog Travellero será para falar de outros artistas e criativos que tanto nos inspiram, de movimentos culturais do passado e do presente, de questões relacionadas à arte em geral e até mesmo para comentar assuntos atuais nos quais nos vemos de algum modo conectados. Mas neste primeiro post, falaremos da relação do studio com a pesquisa das cores e porque ela é tão importante para nós.

Em primeiro lugar é preciso considerar que mesmo quando trabalhamos com preto e branco, estamos lidando com cores e não com a ausência delas. Pesquisar as cores é antes de mais nada pesquisar a dinâmica do olhar, sendo impossível excluí-las da visão.

Nossos estudos derivam da observação do trabalho de pintores ao longo da história da Arte e não de cientistas como Newton que a partir do fenômeno da refração da luz tentou explicar seus espectros de cor de forma isolada e científica. Deve-se respeito a esta pesquisa e aos muitos artistas que a incorporaram em seus trabalhos. Quem nunca ouviu falar de cores primárias, secundárias, das sete cores-luz e do disco cromático formulado a partir delas? É conhecimento, mas para nós não serve, pois pré-condiciona o olhar e o restringe, tentando dar certezas a um campo extremamente enigmático que é o da cor.

Quando olhamos para as cores inseridas na natureza, não temos como as isolar para as catalogar. Ao olhar para uma floresta, podemos simplificar e dizer que é verde, mas se repararmos a quantidade de verdes e de outras cores que a eles se misturam ali existentes, veremos que seria uma missão impossível para nosso olho catalogá-lo. Podemos fotografá-la e tentar contar no computador ou com uma superlente, mas aí  deixa de ser nossa visão bi-ocular e vamos para o ponto de vista, para a perspectiva, para a visão de um olho só. O caolho, por exemplo, não pode dirigir porque um olho só não garante a profundidade da visão, o que a garante na fotografia (que deriva da câmera de desenho na qual se tapa um olho) é o ponto de fuga, é uma construção matemática ilusória. Daí a importância de Cézanne para nós: se recusou a pintar ilusão, quis perseguir sua própria visão em sua pintura. Um empirismo necessário para estudar a dinâmica das cores no espaço. Podemos pensar em cientistas analisando gases: uma coisa é o comportamento das substâncias em um tubo de ensaio, outra é na atmosfera. Tanto nos gases quanto nas cores, entra o fator tempo e as mudanças intrínsecas a ele. Mesmo que identificassem cada um dos tons presentes na floresta, o trajeto do olhar os modifica. Analisando a obra do mestre francês de Aix-en-Provence, José Maria Dias da Cruz nos brinda com o conceito de pós-imagem que consiste justamente na mudança do tom de acordo com o tempo de observação do espectador. Todos os tons acessíveis aos nossos olhos estão se rompendo (termo criado pelo artista) simultaneamente e é com essa ritmação que o artista deve lidar e não com tentativas de fórmulas, nomenclaturas e classificações para o uso das cores.


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